Dreame - Atravez da Muralha
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Atravez da Muralha
book-rating-imgREADING AGE 16+
Jaquel
Fantasy
ABSTRACT
Eu trabalho no armazém da família no nosso território, temos autorização para vender aqui, mas se passarmos as muralhas as criaturas magicas podem nos causar problemas. Tem lendas que dizem que há um reino cheinho de coisas magicas e criaturas por lá, quando criança eu tinha curiosidade de saber mais ou até de entrar no mundo das fadas, mas hoje em dia eu tenho certo receio. O dia começou razoavelmente normal, estava com a minha irmã vendendo coisas, à esqueci de relatar, mas meu pai morreu a uns anos e minha mãe é uma bêbada suja e resmungona. Que vida maravilhosa eu tenho, não? Estávamos vendendo algumas coisas para essas pessoas estranhas, e por alguma razão eles pareciam interessados na minha irmãzinha. — Vocês moram aqui a muito tempo? – Um dos rapazes perguntou diretamente para ela. Ela passou para o outro lado do balcão. — Desde quando me lembro, acho que sempre moramos por aqui. Caminhei ligeiro para o seu lado. — Sim, acredito eu que já compraram o que procuravam, precisam de mais alguma coisa? Eles passaram a me olhar alertas, sem saber se devem me ignorar ou ir embora, eu acredito que eu deixei claro meu desgosto com a presença inconveniente, dos dois ali. Eles pagaram por tudo oque compraram e partiram quase se arrastando até as muralhas. Minha irmã olha impressionada, vindo até mim. — Olha só, eles são do outro lado da muralha. Ela parece surpresa, sua expressão denuncia isso. Seus olhos arregalados e a boca entreaberta parece assustada, provavelmente pelo fato de a poucos instantes estava tendo uma breve conversa com um dos seres místicos da muralha. Ela é muito ingênua acha que todas as pessoas são boas o tempo todo, eu não posso acreditar que existam pessoas que realmente nos queiram bem sem alguma pretensão por trás, estou sempre encucada com uma pulga atras da orelha, desconfiada. Eu acredito que por mais difícil que seja o caminho o final sempre é extraordinário, acredito que em algum momento minha irmã irá se casar e constituir sua própria família, e eu vou ficar para titia. Eu não pretendo me casar, pretendo viver uma curta vida. Enquanto minha irmã precisar de mim eu estarei aqui... claro se ela precisar. Ela é sempre tão prestativa e solidaria as vezes me assusta esse lado fraternal, eu fico me perguntando de onde veio. Provavelmente do nosso pai. Gosto de pensar que nosso pai era um guerreiro muito corajoso, que lutava incansavelmente para sobreviver e salvar sua preciosa família, gosto de imaginar cenários inteiros onde ele de alguma forma se salvou e que por algum motivo ele foi embora para a nossa p******o e que em algum momento de agora ou no futuro ele retornara. Não mantemos conversas muito longas ou muito profundas, por trás de toda a minha fachada eu sou uma mera poeta encandecida com uma fissura de carinho e amor, com falta de atenção e que cria histórias aleatórias na própria mente para se manter sã mentalmente e para sair da realidade. Não conheço muitas pessoas que sonham acordados assim, mas eu adoro os mundos onde eu vivo com as formas com quem vivo lá, eu me sinto livre para ser quem eu quiser ser sem qualquer uma das responsabilidades que me cabem no dia a dia na nossa realidade. Assim percebo que já faz um tempo que não falo nada então puxo assunto. — Então, você foi no baile com aquele outro moço? — Eu não danço tão bem quanto você... Eu não aceitei o convite. — Você tem seus talentos também, eu tinha que herdar algum. Fiz uma piada sobre minha falta de traquejo social e tudo mais, mas acho que só fez sentido na minha cabeça. Eu ri. — Espero que você perceba todas as suas qualidades e que não precise da minha validação para se sentir suficiente. — Sabe qual a sensação de estar sozinho e perdido sem saber com quem falar e as coisas certas a dizer, sabe como é sufocante? Você imagina. — Sim irmãzinha, eu sei exatamente doque isso se trata. Eu preciso que você seja feliz para mim estar feliz. — Vamos fazer um acordo, se eu encontrar alguém, você precisa de alguém também. Você não pode ficar sozinha para sempre. — Não sei se eu gosto disso, mas eu prometo que se eu encontrar alguém que valha a pena eu dou o benefício da dúvida. Pode ser? — Claro, se não fosse assim não seria você, não é mesmo? — Algo assim. Assim nós nos deitamos para descansar para o novo dia de amanhã. Eu costumava dançar muito quando mais nova, acho que até meus treze anos de idade. Eu fui em muitos bailes de gala em nosso vilarejo nas famílias de mais posses, éramos muito alegre nesse tempo. Aí aconteceu o acidente que levou meu pai e eu perdi totalmente o brilho de antigamente, isso tudo tem apenas três anos. Meu pai me levava em muitos lugares junto a ele, ele costumava me contar histórias antes de dormir, eu amava. Claro hoje em dia acredito que as histórias mudariam, mas o tempo juntos me faz